Quarenta anos de cadeira executiva em IBM, Mastercard, Johnson & Johnson e Kenvue, os últimos oito como CTO para a América Latina. O método da Prædictor não veio de sala de aula: veio de decidir, com informação incompleta, coisas que não davam para desfazer.
A pergunta central do método — o que acontece de pior se isto der errado, e dá para desfazer? — não foi formulada para um curso. É a pergunta que ele já usava para decidir a própria carreira, décadas antes de existir governança de IA.
Migração de rede que não pode cair, separação corporativa que não pode parar operação, infraestrutura regional que sustenta o faturamento de um continente. São decisões em que errar não se corrige na semana seguinte — que é exatamente a matéria do método.
Não há aqui uma trajetória construída em palco e depois vendida como método. O caminho foi o inverso: quarenta anos assinando decisão, e só então a decisão de sistematizar o que separava as que deram certo das que não deram.
Começou em manufatura e engenharia de produto em São Paulo, na análise de falhas de subsistemas de armazenamento. Logo no início da carreira, uma designação internacional de dezesseis meses no laboratório da IBM em San Jose, na Califórnia, trabalhando em desenvolvimento de servo digital.
Depois, o centro de tecnologia no Brasil, e um período no laboratório de Hursley, no Reino Unido, como ligação entre a operação brasileira e o desenvolvimento lá. É onde aprendeu a diferença entre o que uma tecnologia promete no laboratório e o que ela entrega em campo — distinção que continua sendo o coração do trabalho de hoje.
Entrou para o primeiro time montado para implantar a operação da Mastercard no Brasil, quando havia um único site de cliente conectado. Ao deixar a área regional, eram mais de quarenta sites no país. Conduziu a integração tecnológica de fusões bancárias, entre elas a unificação de Unibanco e Fininvest.
Entre 2000 e 2006 foi porta-voz da Mastercard Brasil em imprensa e eventos do setor. Em 2007 mudou-se para os Estados Unidos como Business Leader de TI e Serviços de Rede para a América Latina, onde liderou uma migração regional de rede que envolveu cento e oitenta e um sites — o tipo de projeto em que não existe janela para tentar de novo.
Assumiu a infraestrutura regional e construiu a organização que a sustentava, de uma equipe pequena a cerca de duzentas pessoas, com mais de vinte squads respondendo pela maior parte do investimento em desenvolvimento da região.
É desse período o projeto de data center modular em São José dos Campos que teve cobertura da imprensa especializada em 2016, com ele citado falando de inovação e eficiência energética — uma década antes de o consumo de energia da tecnologia virar pauta de conselho.
Conduziu a tecnologia da região em uma das maiores separações corporativas recentes, sem interrupção de operação. Separar duas empresas que compartilhavam tudo é o exercício mais duro de decisão irreversível que existe: cada sistema desligado no dia errado é faturamento que não volta.
Também nesse período, a consolidação da base de fornecedores de telecomunicações da região, de quinze para três.
A Prædictor nasceu de uma constatação simples: as decisões mais caras que ele viu darem errado não falharam por falta de tecnologia nem por falta de gente boa. Falharam porque ninguém tinha definido, antes, até onde a máquina podia ir e quem respondia quando ela errasse.
"Continuo perdendo o sono com decisão difícil. E espero continuar perdendo, porque é o sinal de que ainda sou humano nisso."
Lourenço MirandaReconhecimento de pares e cobertura de imprensa, com nome e data. Nenhum deles é autodeclarado.
Reportagem sobre o data center modular da Johnson & Johnson em São José dos Campos, que o nomeia e o cita entre aspas como diretor sênior de Infraestrutura para a América Latina.
Reconhecimento da comunidade de líderes de tecnologia, decidido entre pares — que é a única forma de reconhecimento difícil de fabricar.
Entre os cinquenta executivos de destaque em IA, pela 7th Experience.
The Tech Summit, sobre modernização tecnológica como alavanca estratégica, e DCD>Brasil, sobre até onde a IA pode impulsionar a transformação nas grandes empresas.
O que sobrou de quarenta anos assinando decisão é uma régua que responde caso a caso. Ela está publicada, inteira, e não custa nada ler.
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